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O mundo de sofia 24/02/2009

Posted by Denise Alves in livros, Meus.
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Diz um provérbio que ninguém pode entrar no mesmo rio duas vezes, porque nem você nem o rio serão o mesmo na segunda vez. E tenho essa experiência cada vez que eu releio um livro.

Estou no momento relendo “O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarden. A primeira experiência que tive com esse livro eu tinha exatamente a mesma idade da protagonista do livro Sofia, 15 anos, e devo admitir, foi um desastre. Achei o livro um tédio, chato de morrer, e cheio de… filosofia…

Mas algo dentro de mim dizia que ele era um livro legal, alguns colegas meus que tinham conseguido chegar até o final do livro diziam que era um livro muito bom, a crítica apoiava, as escolas adotavam e eu tinha que emitir algum juízo de valor, mas para isso precisava chegar até a sua última página! –  eu sou daquelas que não opina antes do final!

E o tempo passou… Anos mais tarde talvez com 18, 19 anos li o livro de verdade. Li todas as suas 547 páginas. Consegui. E o mais surpreendente: ele é para mim um dos melhores livros que já li em minha vida.

Não tanto pelo enredo que é criado apenas para se adaptar à história da filosofia, a minha opinião positiva tem mesmo haver com as correntes filosóficas tratadas junto com a forma como Jostein Gaarden consegue colocar essas idéias no dia-dia de pessoas humanas como eu e você.

Sofia me serve de porto seguro, pois cada vez que estou a ponto de esquecer que existe um mundo além do Coelho Branco, corro pra Sofia. Corro pras idéias iniciais que nos deram material para chegarmos a concepção de mundo de temos hoje. Certas ou erradas, arcaicas ou vanguardistas o livro mostra o caminho percorrido, as quedas, a coragem de enfrentar o desconhecido – assim como Cabral se lançando a novas terras – num mundo cheio de emoções e incertezas, críticas e cálices de cicuta.

E nunca é da mesma forma. Nunca com a mesma intensidade. Hoje é Locke que me encanta. Amanhã Hegel, e ainda tento entender Bjerkely e fico literalmente chocada com Kierkegaard.

Mas dessa aventura acredito que todos deveriam participar. Esse deveria ser o espinho na vida de todas as pessoas. Buscar a razão da nossa breve existência, tentar vê além, mesmo que isso provoque risadas das outras pessoas, romper barreiras e raciocínios pré-estabelecidos.

E quando releio um livro como esse, quando passo novamente pelas teorias, quando me deparo com os questionamentos de mundo, mesmo centenas de anos após a sua concepção, mesmo num mundo pós-moderno e virtual, continuo com a mesma conclusão a qual Sócrates chegou: A única coisa que sei é que nada sei – nada além do que me foi revelado e ainda há muito a se vê.

Crepúsculo 07/02/2009

Posted by Denise Alves in Filme, livros, Meus.
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Já faz tempo que estou querendo confessar isso: Vi Crepúsculo. É verdade. E o pior: GOSTEI, gostei não, amei.

Vi e revi em DVCam umas quatro vezes – o que o desespero não faz – e estou ansiosa pelo DVD. Mas você pode estar se perguntando, isso se você teve coragem de assitir, o que eu vi de tão especial num filme de romance adolescente, é! romance porque de terror ali não tem nada!, e a minha resposta é EU NÃO SEI, por isso vi e revi tantas vezes para entender porque um filme nesse estilo teve tanto poder sobre as minhas emoções. E assim saí para caçar as bruxas, ou melhor, vampiros dentro de mim.

Dizem por aí que nós somos 1% consciente e 99% inconsciente, que aquilo que percebemos rapidamente com um pequeno esforço mental está no nosso consciente, mas que as forças por trás dessas conclusões se escondem propositadamente no inconsciente/subconsciente e como no meu caso as respostas sobre a minha inesperada relação com Crepúsculo não foram achadas na primeira tentativa, cheguei a conclusão que deveria ir mais fundo, literalmente.

Então é aí que Freud entra na história, porque antes de Jung só existia Freud, e isso só mais adiante.

Freud teve a audácia de provar que nos escondemos de nós mesmos, que o nosso EU não consegue suportar algumas coisas sobre si mesmo e então para se auto-proteger do que considera impróprio à sobrevivência encontra meios de pelo menos driblar, ou como ele diz, reconfigurar a realidade, evitando uma relação direta entre causa(o que é) e efeito(o que e gostaria que fosse), numa intricada e complicada rede de mentiras/verdades que constroem a nossa percepção e reação ao mundo.

Resumindo: havia algo que eu estava escondendo de mim mesma. Mas o que? Meu consciente não sabia o que era, mas o meu inconsciente reconhecia algo de muito familiar em Crepúsculo e enviava milhares de gritantes mensagens codificadas sobre o que estava abaixo do limiar da consciência.

Depois de muito pensar sobre o assunto… e pensar sobre o assunto… e rever o filme… e forçar o portão do porão do meu cérebro, cheguei a uma conclusão – um dentre tantos motivos – quase uma EUREKA!!!!

É o amor.

Oh!! Claro que é o amor, afinal é um romance você queria o que!!! – você deve estar gritando para mim. Mas calma, não é apenas o amor. É o modo inconsciente como percebemos o amor.

A relação de Bella e Edward  é mais do que se pode ver rapidamente, como é dito pela própria mãe de Bella no livro Eclipse, é eu já li!!!!!!, é um amor estranho diferente… mas diferente como?…. Incondicional!

É essa a palavra que o meu cérebro não queria deixar aflorar. É isso que me chama a atenção no filme e no livro, porque eles falam de um amor incondicional. E não é isso que no fundo no fundo nós queremos? Alguém que nos ame simplesmente porque existimos. Sem nada em troca. Sem interesses outros.

Numa sociedade tão cheia de trocas de favores, onde usamos uns aos outros em benefício próprio como não se encantar com um amor assim.

Mas somos adultos! protestamos e esse é um filme para adolescentes por isso não me chama a atenção. Eu ousaria uma outra interpretação.

Nós adultos nos acostumamos com o mundo como ele se apresenta para nós. Aprendemos com o tempo e a experiência que pedras atiradas para cima SEMPRE caem. Que o sol nascerá amanhã. Que cachorro não fala. Que pessoas não amam sem um motivo.

Aprendemos isso, nos acostumamos. E criticamos quem ainda tem esperança.

As crianças e os adolescentes ainda acreditam no amor verdadeiro, ainda conseguem se encantar, seus mecanismos de auto-repressao não foram totalmente formados. Seus inconscientes ainda conseguem mandar informações ao consciente, que com o tempo e por causa das experiências conseguimos abafar.

E uma das coisas que temos dentro de nós, de todos nós, como ressalta Jung com a Inteligência Coletiva, é o desejo de sermos amados Incondicionalmente, ele está lá latente, quero sair, se expressar, só esperando a primeira oportunidade de mostrar quem no fundo nós somos e quando vemos um amor assim, paramos e nos sentimos atraídos.

Porém uma das coisas que o filme Crepúsculo também mostra é que esse amor não pode ser concedido por alguém da nossa própria espécie, mas alguém diferente, acima, transformado. Guardando as devidas proporções, só uma pessoa pode amar Bella (o ser humano) com todas as suas falhas de caráter sem pedir nada em troca e esse alguém é Edward(Jesus), um vampiro(Deus em forma de Homem), aquele que ao invés de exigir meu sangue, deu o dele por mim.

É disso que o nosso subconsciente se lembra quando assiste a Crepúsculo: Existe alguém que me ama como sou, e seu nome é Jesus.

É isso que está gravado no fundo do nosso ser por mais que tentemos abafar e substituir. Fomos criados para ser amados e desejamos ardentemente esse amor. Mas não nos permitimos confessar isso nem pra nós mesmos, quanto mais para os outros!

Mas deixe eu lhe dizer uma coisa: Ele é mais real do que você imagina.