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É com pesquisa que se combate à Dengue 04/04/2008

Posted by Denise Alves in Meio Ambiente.
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Fonte: Unit

 

500 ml de água, 100 ml de álcool, uma quantidade de folhas de citronela suficiente pra encher um copo de liquidificador. Tritura, filtra e pronto. Tem-se um repelente ecológico e eficaz no combate a insetos, dentre eles o aedes aegypti, transmissor da dengue.

Parecida com a erva cidreira, a citronela possui em seu óleo essencial os componentes citronelal, geraniol e limoneno, que afugentam moscas e mosquitos. A solução simples e que pode muito bem ser feita em casa está sendo produzida no Laboratório de Produtos Naturais e Biotecnologia do Instituto de Tecnologia e Pesquisa – ITP –, e distribuída na comunidade da Farolândia por estudantes da Universidade Tiradentes – Unit –, alguns deles estagiários do projeto.

“Passando esse extrato nos cantos da sala a gente vai ter um efeito contra o inseto, inviabilizando a penetração dele no ambiente”, explica a idealizadora da campanha, Sheyla Alves Rodrigues, pesquisadora do ITP e professora da Unit.

A campanha contra a dengue mobiliza acadêmicos e professores da área de Saúde. Enquanto distribuem o repelente ecológico, eles orientam à população sobre como fazer para evitar, detectar e combater a doença.

“A intenção de trabalhar dessa forma é mostrar ao aluno que ele também faz parte da comunidade e que tem responsabilidade social. Estamos intervindo inicialmente no nosso bairro e, se possível, iremos ampliar para outras localidades”, afirma Sheyla Rodrigues.

Para a coordenadora do curso de Biomedicina da Unit, professora Ana Paula Barreto Prata Silva, a ação é importante, sobretudo, pelo momento de epidemia de dengue em que vive o país. “Não só os profissionais da área de Saúde como toda a população deveria estar se mobilizando, se informando, evitando o acúmulo de água”, diz.

“A comunidade precisa tomar pra si essa responsabilidade de combater o mosquito. Independentemente de a gente acusar o poder público, que também tem uma parcela de culpa, cabe a cada um, em sua casa, fazer a sua parte. Se todo mundo fizer, o problema vai ser amenizado”, complementa a estudante de Biomedicina Maísa de Araújo Pereira.

Dentre as orientações dos alunos e professores, uma das mais importantes é o perigo de superdosagem de paracetamol, princípio ativo de alguns dos remédios mais vendidos no mundo, a exemplo do Tylenol, indicado para os casos de dengue.

 “Às vezes as pessoas tomam uma dose e, como a dor não passa, tomam outra logo depois, sem que a primeira tenha sido metabolizada no organismo. Além de provocar alguma alteração no metabolismo do corpo – que vai ser em parte benéfico pela diminuição das dores e dos sintomas –, pode-se estar gerando uma intoxicação hepática”, adverte a pesquisadora Sheyla Rodrigues.

 

COMUNIDADE

A costureira e feirante Maria Valdelice de Jesus, 58 anos, conhece de perto o problema da dengue. Nos últimos dias, sua filha de 33 anos e seu neto de 5 foram vítimas do aedes aegypt. “Esses mosquitos vêm de fora. Não são do meu quintal. Mas aqui na Farolândia a dengue tá atacando muito. Domingo faz oito dias que eu cheguei da feira e minha filha estava com os olhos muito vermelhos, sentindo dores de cabeça, aquela agonia no coração, aí eu chamei um táxi e levei para a urgência. Logo ela foi medicada, tomou soro, fez exames e graças a Deus tá bem. Ontem foi a vez do menino. Diarréia, barriguinha doendo, febre muito alta, eu dava medicação em casa mas não adiantava. Tive que levar pra urgência também. Cheguei com ele 10 horas da noite”, relembra.

Após receber as orientações e utilizar o repelente ecológico por um dia, Maria Valdelice se diz bem mais tranqüila. “Conversei com as meninas, pedi ajuda pra elas por que o foco aqui tava demais. Elas me deram o produto, eu despejei a metade num balde com um pouco de água, lavei um pano e passei na casa toda, nos cantos, nos móveis. Hoje, já senti a diferença. Varri a casa, embaixo das camas, e não tem mosquito mais. Agora posso dormir mais em paz, por que mesmo com mosquiteiro a gente fica com receio, né?”, relata.

Aos 22 anos, o auxiliar de cozinha John de Oliveria Silva já é pai do garoto John Vani, de 10 meses, e sabe que precisa protegê-lo contra a doença. “A preocupação é redobrada por que os adultos podem agüentar um pouco, mas as crianças têm o organismo mais fraco. Já teve caso de uma vizinha nossa aqui da frente que pegou a dengue, então a gente está falando com a vizinhança pra poder evitar que deixe água parada”, comenta.

A dona de casa Ana Lúcia Dias, 40, não só recebeu o repelente ecológico como plantou a citronela no seu quintal. “A gente já teve dengue em casa e essa idéia é maravilhosa. Uma folha, água, álcool. Tudo muito simples e sem afetar o bolso”, avalia.